As grandes promessas

 

Estamos às vésperas de mais um acontecimento nacional capaz de uma enorme mobilização em todos os setores.
É fato consumado, as eleições presidenciais ocorrerão, ainda que nós, um país de dimensão continental; padeçamos pela falta de homens honestos e coerentes com suas idéias e atitudes.
A diferença entre os candidatos é tão grande quanto o abismo. Quando estão a falar sobre os problemas brasileiros, penso, muito preocupado, que são alienados.
Não conhecem a nossa realidade, ou, então, falam de outro mundo que eu não conheço.As cortinas foram descerradas para que os nossos "astros" apresentem suas propostas no rádio e na televisão. Nós - os espectadores incompreendidos - estamos prontos para aplaudi-los.
Na verdade é só isso o que sabemos fazer (se batemos palmas até para os defuntos políticos, por que não haveríamos de aplaudir também os que estão vivos?).Esses atores geralmente são figurinhas carimbadas que repetem a mesma ladainha de quatro em quatro anos porque a população esquece.
Vendem um produto de péssima qualidade, isso quando não vendem os próprios sonhos e a própria alma para o diabo. Alguns outros, os mais espertos, se dão ao luxo de comprar votos.
O Horário Eleitoral Gratuito é mais uma aberração a que somos submetidos sem a mínima consideração. Somos obrigados a assistir o que não queremos, compelidos a deixar que esses enganadores entrem em nossas casas e nos convençam/obriguem a votar neles ou em qualquer outro da mesma espécie. Todos os candidatos, sem distinção, prometem mais empregos, mais hospitais, melhores estradas, maior renda e, quem sabe? Melhor segurança.
Só não prometem que serão honestos. Quem não se lembra do nosso presidente com a mão espalmada mostrando os cinco dedos, como se mostrasse os dentes? Vamos aos fatos: a saúde melhorou?
Temos mais empregos? E as rodovias? E os nossos filhos? Lá se vão oito anos de promessas e mais promessas. O que mais me agoniza é essa investida do governo em seu candidato que não vale um cibazol (coitado do cibazol!), que não foi capaz de dar fim sequer a mosquito.
A descrença - com os candidatos - é tão grande que, se votar não fosse obrigatório, certamente nenhum dos concorrentes teria para justificá-los no poder, uma soma significativa de votos.
Ontem tivemos, na televisão, um debate entre os candidatos à Vice-Presidência da República. Ai! Que saudade que me deu do terreiro de minha casa, quando, à tardinha, sentávamos para rir da vida... a cena foi essa, um debate de piadas no quintal. Nós merecemos! Certamente merecemos!
Se os titulares já nos decepcionam, imagine os seus dublês! Mas amanheceu um novo dia e, hoje, aconteceu comigo um fato inusitado que merece registro.
Andando pela calçada de uma rua deserta, sem muita pretensão, passando por um telefone público, notei que ele tocava e tocava feito um louco, como certamente não era para mim, não atendi. Mas o dia está fadado a ser estranho porque, logo em seguida, encontrei um celular no chão.
Olhei para os lados não vi ninguém. Caminhei mais alguns passos. Achei que deveria ligar para o dono do aparelho. Voltei. Quando peguei o aparelho ele tocou.
O susto foi enorme.

__ Alô!
__ Como vai, presidente?

Não entendi nada. Aquela voz não me era familiar. Tornei a falar.

__ Alô!

E novamente...

__ Como vai, senhor presidente? Não está me ouvindo?
__ Sim, sim, estou.
__ E a campanha, como anda?
__ Meu senhor! Está havendo um engano.
__ Como um engano?
__ Eu não sou candidato.
__ Não?
__ Não!
__ Ah, e que diferença faz?!

Realmente é uma grande verdade. Que diferença faz votar em A, B ou C?

Os grandes "candidatos" são os marketeiros, estes sim, são os que dizem o que pensam e o que acham através dos seus subor(di)nados que fazem promessas mirabolantes. Eles, que são tão competentes para nos vender imagens, é que deveriam ser eleitos. Na pior das hipóteses, ganharíamos alguma coisa como atração turística para inglês e o resto do mundo ver... o carnaval é o mesmo.

 
  Pedro cardoso é cronista   -  Texto Publicado com autorização de autor

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