Um estranho medo

Hoje, tive vontade de sair por aí pelado, deixar o cajado de fora e em posição de ataque, sem me preocupar com nada e nem com ninguém. Mas ainda bem que foi só um desejo passageiro e meio bobo.
Fiquei imaginando como teria sido recebido pelas pessoas de todas as idades. Algumas certamente iriam rir da minha bobagem, outros, me chamariam de idiota e os policiais, com certeza, me prenderiam com algemas e me jogariam dentro de um camburão, como um bicho do mato.
Mas, se eu fosse um galã desses que estão na mídia, tipo Paulo Zulu, certamente a reação das pessoas seria bem diferente, as mulheres iriam oferecer os seus colos e endereços com a maior naturalidade; os homens, claro, me chamariam de "veado" por puro preconceito ou, até mesmo, por mera sacanagem e os simpatizantes, certamente ficariam em cima do muro.

Veja como é importante a imagem pública... tudo bem, estou tentando fazer aqui, um paralelo entre este cronista e a atriz Regina Duarte. Quando ela foi à televisão dizer que estava com medo de um dos candidatos à Presidência da República, confesso que fiquei com medo dela, a interpretação que ela deu ao texto foi tão real que me assustou. Se o ator, naquele momento fosse eu, nada disso teria acontecido, tudo teria passado despercebido e, eu, seria apenas mais um como tantos outros que aí estão. De fato, o texto tem uma certa lógica, a mudança que estamos vislumbrando é mesmo assustadora.
Políticos que até então foram imbatíveis nas urnas, estão tombando como árvores mortas.
Agora! Cá pra nós, quem ficou oito anos sem aumento salarial e não aposentou aos trinta e oito anos de idade e nem foi exilado, nem foi ministro da saúde, vai ter medo de quê? Ou, de quem?
Quem foi a "Namoradinha do Brasil" jamais deveria ter emprestado sua imagem para um ato tão grotesco, mas dá para entender, vida de artista não é fácil.
Fatos como esses são próprios da democracia, cada candidato usa as armas que tem, não importando quais sejam os atiradores de elite. De qualquer jeito nestas alturas do campeonato eleitoral, só posso dizer para os indecisos:
viva a liberdade de expressão, viva o marketing e, de quebra, vivas para as eleições brasileiras!!!

 
  Pedro cardoso é cronista   -  Texto Publicado com autorização de autor

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