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Os
bandidos estão tomando conta da população, o assalto passou a ser tratado
como algo banal em todas as esquinas, bares ou semáforos. O perigo está
latente. Eu nem sei o que é pior: entregar o carro para o assaltante
ou passar no sinal vermelho sabendo que se pode provocar uma batida
espetacular.
As pessoas de um modo geral estão acuadas em suas próprias casas. Esta
é a mais nova forma de violência contra o cidadão que, a duras penas,
paga seus impostos em dia. O descalabro é tão grande que alguns dos
meus vizinhos estão colocando cercas elétricas em cima do muro de suas
casas, sem dimensionar os perigos que trazem esses aparatos para os
seus ou os filhos alheios.
Os meliantes perderam a vergonha, estão rindo de nossas caras julgando-nos
tolos ou coisas parecidas. Nunca pensei que fôssemos chegar a esse ponto.
A bandidagem impera em todas as classes sociais, os roubos estão alastrando
por todo o país como uma praga. O povo, amedrontado pela real possibilidade
de ser assaltado, parece ter jogado a toalha. As polícias não se entendem.
Eu, como sempre, fico entre a cruz e a espada.
Às vezes dá até vontade de rir da desgraça alheia. Um dia desses o meu
vizinho de parede que é um sujeito trabalhador, cumpridor de suas obrigações
com o fisco, que está em dia com suas obrigações eleitorais - mesmo
porque sempre foi convocado para trabalhar nas eleições como mesário
- e que não colocou fios elétricos no muro, foi roubado de uma forma
inusitada. Nunca ouvi contar um caso como esse.
Começo explicando que tanto a minha casa como a dele são protegidas
pelo destino. Nossos muros não têm mais que oitenta centímetros de altura,
o suficiente para não permitir a entrada de cachorros ou algum menino
menos avisado. Mas, uma vez, alguma coisa falhou: aconteceu o roubo,
exatamente às treze horas, quando meu nobre amigo estava voltando do
trabalho para almoçar.
Quando desceu do carro, percebeu que o portão estava aberto, mas não
deu importância ao fato. Assim que foi entrando, um cidadão de aparência
tranqüila ia saindo com uma porção de roupas penduradas em um cabide.
Assim que aproximou, o "distinto" perguntou:
__ Tintureiro?
Meu amigo disse que não. O espertalhão saiu normalmente, sem nenhum
atropelo.
Quando meu amigo entrou no quarto para trocar de roupa, foi que percebeu
que havia sido ridiculamente roubado. Todas aquelas roupas no cabide
eram dele.
Lugar de ladrão é na cadeia, mas esse foi muito abusado, deixou meu
amigo sem as vestes na maior categoria que, de tão estupefato, preferiu
ficar seminu - física e moralmente. Assim, até hoje, não deu queixa
na polícia. Achou melhor assumir os prejuízos, pois com as benditas
peças de vestuário, o gatuno sequer será molestado pela polícia.
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