|
Este
ano, além da Copa do Mundo de futebol vamos ter, também, eleições para
presidente, governadores, senadores e deputados. As campanhas já começaram
por todo o país, não será por falta de opção que iremos deixar de exercer
o nosso direito sagrado de votar. Mas quando vejo candidatos apresentando
propostas indecorosas, tenho vontade de fazer um bem-me-quer, mal-me-quer,
com cada um deles. Só assim votarei com tranqüilidade... penso.
Devo dizer que tenho até me esforçado para escolher candidatos dos partidos
de oposição, mas infelizmente quando deparo com a governadora do Rio
de Janeiro (uma representante de peso desses partidos) querendo fechar
as entradas de acesso às favelas, fico realmente com um pé atrás. Custo
acreditar que essa idéia estapafúrdia tenha partido da cabeça de uma
mulher que nasceu e viveu boa parte de sua vida dentro de uma favela.
Esta senhora é uma prova viva de que pessoas que nascem em favelas podem
vir a ser fundamentais para a sociedade, podem ocupar cargos de destaque
dentro do poder, podem e deveriam olhar para as favelas com mais humanidade.
Isolar quem quer que seja é simplesmente uma discriminação social que
não podemos aceitar nos dias de hoje. Nenhum argumento vai me convencer
de que esse é um bom caminho para quem tem objetivos maiores.
O Rio de Janeiro não merece um novo muro de Berlin. Fico só imaginando
como explicar para príncipes e astros do rock que eles podem atravessar
essa barreira e não só visitar como gravar clipes quando nós, meros
mortais, cariocas ou não, nem pedindo autorização podemos chegar perto
dos nossos auto-coroados soberanos, diante de quem até autoridades se
curvam.
Fatos incontestáveis como esse aliados à idéias assim, partidas de quem
deveria haver ação e não filosofia, criam barreiras invisíveis entre
a vida almejada e a real situação do povo-eleitor, traído mais uma vez.
Nesse ponto, pelo menos, todos somos iguais: dentro ou fora das favelas,
todos recebemos o mesmo destratamento por parte de quem deveria nos
proteger. Assim fica difícil acreditar que estamos no século vinte e
um, em um país "em desenvolvimento".
Não será impedindo que as pessoas desçam os morros que vamos acabar
com a visceral pobreza e muito menos com os bandidos, mas, sim, abrindo
para eles novos caminhos, novas oportunidades. Exatamente o contrário
do que vem sendo proposto. Cadeias nós já temos de sobra o que está
faltando é dignidade para os que podem menos.
A Copa do Mundo está terminando, as eleições estão chegando, os favelados
estão torcendo por nossa seleção como nunca e o governo assiste de camarote
o BBB (Bang-bang Brasil)... será a benedita? |